Por: Professor Mesquita

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Movimentos repetitivos e falta de ajuste no equipamento podem causar lesões nos joelhos e até na coluna
Redação Bem Paraná
Nas academias, parte dos equipamentos não são adaptáveis para os diferentes tipos de estatura e peso de homens e mulheres. Para os praticantes da modalidade spinning (bike in door), por exemplo, pedalar intensivamente em uma aula animada pode ser a solução para queimar calorias e fortalecer os músculos em menos tempo. Porém, caso a bicicleta for ajustada de maneira incorreta, é provável que o atleta sofra lesões nos tendões e músculos.

A ergonomia – ajuste do homem à máquina – sempre teve referência no meio empresarial como forma de adequar o ambiente de trabalho ao homem. Já a ergonomia no esporte tem como objetivo auxiliar atletas profissionais e amadores a praticarem exercícios corretamente, evitando lesões e inflamações ocasionadas por treinamentos repetitivos.

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Atletas amadores devem tomar cuidado

Lesões nos joelhos, mãos, braços, pescoços, pernas e coluna (lombalgia) são os problemas mais comuns ocasionados pela falta de ajuste no aparelho e caso não sejam corrigidos, podem causar sérios danos à saúde. Foi o que aconteceu com a economista Vivian Amaral, 24, que após praticar por mais de 2 anos o spinning com a postura e o ajuste do equipamento incorreto, acabou lesionando o joelho esquerdo. Depois de muito repouso e consultas ao fisioterapeuta, a economista demorou cerca de 3 meses para se recuperar e já voltou a freqüentar as aulas de spinning regularmente. “Fiquei por muito tempo me exercitando e não sabia que o movimento que fazia nas aulas estava incorreto. No final, acabei me lesionando. Mas nem por isso deixei de fazer o que mais gosto”, afirma.

De acordo com o engenheiro mecânico Euler Chropacz, o conforto e a praticidade são importantes para que o exercício torne-se saudável e seguro para o usuário. “A ergonomia correta é visível para quem pratica. Se o atleta se esforçar para segurar no aparelho ou freia-lo, é devido à falta de ajustes no equipamento”, diz.

Euler explica que ajustes no selim, pedais e guidão fazem a diferença na postura e no posicionamento do usuário, evitando acidentes e ocasionando conforto e praticidade nos treinos, principalmente para os atletas amadores, que utilizam o spinning apenas como hobby. Já para os profissionais, a ergonomia auxilia na prática e regulagem do equipamento. “A composição do equipamento torna os treinos mais fáceis e seguros. Algumas peças são mais fáceis de manusear do que outras. Cabe ao fabricante o funcionamento adequado do equipamento para auxiliar o atleta a evitar possíveis lesões.”, esclarece.

Alguns atletas de corrida, futebol, vôlei, entre outros esportistas, utilizam a bicicleta de spinning como um meio de praticar treinos mais pesados no intuito de fortalecer os músculos do corpo com ginástica aeróbica – responsável pela queima de gorduras. “É preciso estar atento, uma vez que, alguns aparelhos vêm com medidas únicas e pouco ajustáveis. A bicicleta de spinning tem essa vantagem, ajusta-se a qualquer tipo de pessoa. O equipamento deve privilegiar a ergonomia desde a concepção”, finaliza o engenheiro.

Dicas

O alongamento e o acompanhamento de um profissional é indispensável para um treinamento saudável. Euler orienta que antes de iniciar a aula de spinning, os profissionais e usuários devem-se seguir algumas dicas de ergonomia para o ajuste no aparelho para ginástica, evitando desta forma, lesões durante o treino:

- Ajuste o selim sempre na altura da cintura;

- A distância entre selim e guidão devem sempre ser aproximadamente a mesmo do ante-braço, mais a mão e o dedo mínimo;

- Não mantenha as pernas completamente esticadas, quando pedal estiver na posição mais baixa, o joelho deve ficar flexionado;

- Para maior conforto, pode-se variar levemente a posição que se senta sobre o selim, ora mais pra frente, ora mais para trás.


Atletas amadores devem tomar cuidado
Altas temperaturas estimulam a prática de atividades físicas
Caminhar na praia, correr no parque, nadar no clube... Essas e outras atividades físicas parecem muito mais atrativas no verão, quando os dias são mais longos e as temperaturas mais agradáveis. “Começar atividades físicas sempre é bom, em qualquer época do ano, porém é fundamental respeitar a individualidade”, ressalta o educador físico Dr. Raul Osiecki, professor de pós-graduação do Grupo CBES.

Apesar de parecer desnecessário, até as atividades mais comuns como natação ou uma longa caminhada exigem uma avaliação prévia. “As pessoas que desejam iniciar uma atividade física regular precisam realizar uma avaliação cardiológica para garantir a isenção de riscos e, depois, uma avaliação fisiológica, que diagnostica a condição física do indivíduo”, explica Dr. Raul. A avaliação permite que seja elaborado um programa de exercícios de acordo com as necessidades do indivíduo e, principalmente, dentro da segurança e promovendo sensação de bem-estar.

Para pessoas sedentárias, essa avaliação é ainda mais importante, pois é com ela que se definem os limites de cada indivíduo. “São avaliados a porcentagem de gordura corporal, excesso de peso ou carência de massa muscular, flexibilidade, força e capacidade aeróbica”, esclarece o educador. Se não forem respeitadas as características de cada um, o exercício passa a ser uma tarefa árdua, podendo resultar em desgaste físico e lesões.

Segundo o ortopedista Dr. Renato Raad, coordenador da equipe de ortopedia do Hospital Nossa Senhora das Graças, entorses de tornozelo e joelho (as famosas “torcidas”) são as lesões mais comuns dos atletas de verão. Distensões musculares e dores na coluna também são recorrentes. “É essencial alongar antes e depois das caminhadas, fazer avaliações cardiológicas e ortopédicas regulares. A pessoa deve, também, ter orientação para que não cometa excessos ou caminhe despreparada em terrenos irregulares ou íngremes”, orienta o especialista.

Por isso, os novos atletas, se sofrerem algum tipo de lesão, mesmo que pequena, devem procurar o médico, já que distensões podem prejudicar para sempre alguma parte do corpo. “Isso não acontece com freqüência, mas é possível ocorrer lesões na cartilagem, ligamentos e fraturas, que se não forem diagnosticadas e tratadas corretamente, acarretam problemas mais graves”, ressalta Dr. Raad.

No verão, o maior perigo das atividades físicas é a desidratação. O calor associado à umidade elevada aumenta a perda de água. A dica mais importante é consumir água fria (6 a 10°C) a cada 15 minutos, em pequenas quantidades. “Não se pode deixar aparecer a sensação de sede porque, nesse momento, já está ocorrendo o processo de desidratação”, alerta o educador físico Raul Osieck do Grupo CBES.

Cuidado com o coração

Outro cuidado importante antes de começar os exercícios físicos é fazer um check up cardiológico, que poderá identificar se a pessoa apresenta risco de doença cardíaca. Pessoas com histórico familiar da doença, sedentários, fumantes, quem tem diabetes e os obesos são algumas das pessoas que tem um maior risco cardíaco. “Com os exames a pessoa poderá saber detalhadamente seu estado de saúde e como está o seu coração”, explica o cardiologista da Quanta Diagnóstico Nuclear, Dr. João Vítola.

Fazem parte da bateria de exames indicados: consulta médica, testes de esforço e eletrocardiogramas, além de exames mais específicos, de acordo com cada caso. Uma forma de avaliar o fator de risco cardíaco é fazer uma cintilografia de perfusão miocárdica, um exame da Medicina Nuclear. "Uma investigação rigorosa da doença pode ser um grande auxiliar para o tratamento e para a prevenção", explica o cardiologista dr. João Vítola.

O exame, que costuma ser solicitado apenas pelo cardiologista, atua como um estratificador de risco, identificando as áreas do coração que estão recebendo fluxo sangüíneo. De acordo com o médico, o resultado do exame pode ser decisivo para encaminhar o paciente para o tratamento necessário.



Para toda a vida

É muito importante que os exercícios não parem com a chegada do outono, pois é prática regular que proporciona efeitos positivos e duradouros. “É preciso deixar um horário reservado na sua agenda para o seu bem-estar, como se fosse uma reunião diária. Isso é investimento e não perda de tempo”, garante o prof. Raul.

Para uma vida saudável, as sessões de exercícios podem variar de 3 a 6 vezes por semana, para indivíduos mais treinados. Porém, a carga de trabalho deve respeitar as necessidades e o ritmo biológico individual, pois algumas pessoas precisam de maior tempo de repouso que outras