Por: Professor Mesquita

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Fonte: Folha de S. Paulo



8% dos pacientes apresentaram doença cardíaca

Levantamento feito pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia e divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo mostra que 65% dos esportistas que já passaram pelo Departamento de Medicina Esportiva da instituição nunca fizeram um exame cardiológico.

Os dados são referentes aos 7.500 atendimentos já realizados pelo setor. "Os números podem ser até maiores. Há grupos que só passaram por um fisioterapeuta. Vimos que existe uma falta de obrigatoriedade de avaliação cardiológica desses atletas", diz o cardiologista Nabil Ghorayeb, responsável pelo departamento.

Os atletas que passam pelo atendimento praticam diversas modalidades esportivas, têm até 35 anos de idade e fazem atividade física intensa desde a infância. Para Ghorayeb, eles não procuram um especialista porque são jovens e nunca sentiram sintomas de problemas cardiovasculares.

Os riscos, no entanto, existem. Entre os pacientes, 8% apresentam algum tipo de doença cardíaca, como arritmia, pressão alta e miocardiopatia hipertrófica. Taxas elevadas de colesterol foram encontradas em 15% dos pacientes, creditadas principalmente a maus hábitos alimentares.
"Mas eles nunca foram informados disso, não têm nutrição orientada", afirma o médico.

Cardiopatias não identificadas e não tratadas aumentam as chances de o atleta sofrer de morte súbita. Um problema no músculo cardíaco, nas coronárias ou no sistema elétrico do órgão, que dita o ritmo dos batimentos, pode resultar em parada cardíaca depois de um episódio de esforço extremo.

Ghorayeb também constatou que muitas mulheres não passavam por avaliação ginecológica ligada ao esporte, como dosagem de hormônios.

Paulo Zogaib, médico do esporte da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), acrescenta que, em muitos casos, o primeiro contato do esportista com um médico ocorre quando passa a integrar um clube. "Em geral, será que o pai vai levar o filho que quer começar a treinar no médico para saber se está tudo bem?", questiona.

Um monitoramento médico auxilia a programar de forma sadia a evolução do atleta. "Além de estarem protegidos, podem modificar a modalidade esportiva, se necessário, e ser tratados no início da doença", diz Nabil Ghorayeb.

por JULLIANE SILVEIRA