Por: Professor Mesquita

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Resumo:
Todas as crianas, independentemente de sexo, raa, cultura ou potencial fsico, anomalia mental, tm direito a oportunidades que maximizem o seu desenvolvimento. Uma vez que o movimento tem um papel fundamental no desenvolvimento humano (cognitivo, psicomotor, afetivo-social), o Esporte dentro da escola deve considerar todos esses aspectos como independentes e interdependentes. O currculo de Educao Fsica (Infantil), nesse sentido, implica em estruturao de um ambiente que auxilie as crianas a incorporar a dinmica da soluo de problemas. O princpio bsico dos esportes na escola a incluso, ou seja, o de que todos os alunos devem participar da aula durante toda a sua durao. Assim temos que trabalhar o esporte de maneira em que nenhum aluno fique de fora das atividades e o esporte seguindo as regras oficiais seria invivel, porque o educador acabaria perdendo o controle das atividades que seus alunos estariam executando. O ideal a utilizao de jogos pr-desportivos, adaptados participao de todos os alunos.
Palavras-chaves: Esporte. Criana. Escola. Treinamento.


INTRODUO


Todos sabem da real importncia da atividade fsica praticada pela criana, para seu crescimento e desenvolvimento adequados; esta mesma atividade pode exercer influncia positiva em relao a aspectos mentais e cognitivos.

Para a maioria dos pais, a prtica esportiva uma necessidade. Para os mdicos e Profissionais de Educao Fsica, atualmente a prtica de atividades fsicas e esportivas contribui positivamente no desenvolvimento integral do ser humano.
Os jogos, em sua origem e desenvolvimento, esto estreitamente ligados s relaes socioculturais, constituindo-se, assim, em um fenmeno histrico. Eles ocupam um lugar de destaque nas aulas, por sua contribuio ao desenvolvimento de uma juventude culta, vigorosa e saudvel. Seu grande valor biolgico e pedaggico est convertendo-os em um meio indispensvel para a formao da personalidade de cada indivduo participante. Eles tambm ajudam no desenvolvimento do organismo das crianas pela sua prtica sistemtica.

COMO TRABALHAR O ESPORTE NA ESCOLA

Os PCNs de Educao Fsica nos trazem que ao ingressar na escola a criana j tm uma srie de conhecimentos sobre movimento, corpo e cultura corporal, frutos de experincia pessoal, das vivncias dentro do grupo social em que esto inseridas e das informaes veiculadas pelos meios de comunicao.
Cabe a escola trabalhar com um repertrio cultural local, partindo de experincias vividas, mas tambm garantir o acesso a experincias que no teriam fora da escola. Essa diversidade de experincias precisa ser considerada pelo professor quando organiza atividades, toma decises sobre encaminhamentos individuais e coletivos e avalia procurando ajustar sua prtica s reais necessidades de aprendizagem dos alunos.
Baseado nas informaes dos pargrafos anteriores deve-se trabalhar com os alunos respeitando seus limites e suas necessidades. Para ensinarmos os esportes para crianas, devemos em primeiro lugar brincar com elas de forma que isso no seja uma obrigao e sim descontrao.
Aps a criana tomar gosto pelo o que est fazendo que devemos comear a ensinar os movimentos corretos, as regras, (o que pode e o que no se deve fazer), lembrando sempre que ao se tratar de crianas isso no deve ser de forma de imposio ou obrigatoriedade, s vezes melhor deix-las criarem as prprias regras do jogo e posteriormente ir colocando as regras oficiais.
A criana gosta de ser desafiada, isso pode ser usado como forma de incentivo para melhorar seu desempenho no esporte que est sendo praticado, lance um desafio simples depois v dificultando, tornando cada vez mais desafiador, com isso, a criana vai aprimorando seus movimentos e sempre buscando sua superao.
As escolinhas esportivas, sendo dentro da escola tm muito a contribuir no desenvolvimento do aluno seja fsico, cognitivo, social, afetivo, enfim, integral. mais uma ferramenta para usarmos como atrativo para o processo de ensino e aprendizagem haja vista que comprovado que a prtica de esportes ajuda neste desenvolvimento integral, tanto almejado nos dias de hoje.
Estas escolinhas esportivas escolares tm que ter muito claro o que deve ser trabalhado com estes alunos, se o profissional que estiver ministrando estas aulas no tiver a preocupao com os alunos que no tem certa habilidade com um esporte o qual o prprio escolheu para praticar dentro da escola, este vai acabar sendo excludo daquela modalidade, como acontece nos clubes esportivos, por isso, a escola tem um papel fundamental quando oferece uma escolinha de esporte, resgatar um indivduo que foi rejeitado por algum motivo em uma outra instituio esportiva.


A PEDAGOGIA NO ENSINO DO ESPORTE INFANTIL

No processo de aprendizagem dos desportos, Telema (1986) nos fala que devemos ter em mente que a atividade esportiva por si s no educa; seus efeitos educativos dependem do contexto em que praticada, especialmente em relao aos aspectos de interao social, ao clima efetivo-emocional e motivacional existentes. Essas condies de diversos fatores, entre os quais um deles nos parece fundamental: a interveno do educador, pois, somente ele saber mediar estes conflitos que so de suma importncia para a autonomia da criana.
As principais tendncias pedaggicas que so expressas no mbito da educao formal, como nos fala Balbinotti (1997, p. 86), podem ser denominadas e definidas operacionalmente como reprodutivas e construtivistas.
A concepo reprodutiva (tradicional) aquela que prioriza as capacidades intelectuais, situando-as como primeiros e mais relevantes objetivo na formao do homem. Seus procedimentos didticos enfatizam processos normativos que visam a uma rgida disciplina. A tnica dessa concepo educativa uma exposio de conhecimentos, por parte do profissional, a educandos ouvintes e passivos, bem comportados e estticos.
Para o mesmo autor, a concepo construtiva pressupe estratgias de interveno pedaggicas manifestadas atravs da integrao entre educao intelectual e corporal e de um conceito de autoconstruo, ou seja, o processo de elaborao do conhecimento se d a partir da participao e interveno ativa do indivduo em todas as atividades de aprendizagem. A complexidade do processo da construo do conhecimento exige que o profissional exera o papel de agente estimulador dessas relaes de interao em que o indivduo passa a ser um agente ativo, no esporte isso fica bastante claro, se a criana for sempre encorajada a participar das atividades no futuro no ter nenhum problema de se relacionar e interagir com os outros.


A INICIAO ESPORTIVA NA ESCOLA

Devemos em primeiro lugar entender o que iniciao esportiva. Por iniciao esportiva (IE), compreendido o processo percorrido por uma pessoa (normalmente a criana), desde sua chegada a uma escolinha at a prtica esportiva competitiva. lgico que esse processo implica um aprendizado e posterior treinamento progressivo, direcionado a melhorar e depois aperfeioar os diferentes aspectos orgnicos, funcionais, tcnicos e tticos necessrios para um timo rendimento no esporte escolhido.
A natureza do fenmeno da iniciao esportiva e competitiva de crianas muito mais freqente do que se pensa, basicamente por ser criana influencivel e por sua dependncia dos adultos. Esse fenmeno se d, com mais regularidade, nos pases com mais hegemonia esportiva mundial e, principalmente, em algumas modalidades especficas.
Para Personne (1987), iniciao esportiva precoce (IEP) a atividade esportiva desenvolvida antes da puberdade e caracterizada pela alta dedicao aos treinamentos (mais de 10 horas semanais). Mas, principalmente, por ter uma finalidade competitiva. J Kunz (1994), referindo-se a treinamento especializado precoce (TEP), entende que esse ocorre quando as crianas so introduzidas, antes da fase pubertria, a um processo de treinamento planejado e organizado em longo prazo. Esse processo se efetiva em um mnimo de trs sesses semanais, com o objetivo de ter um gradual aumento do rendimento, alm da participao peridica em competies.
Dessa forma, alguns atletas se tornam mundialmente conhecidos exatamente por sua pouca idade, principalmente na ginstica. Isso ocorre com muita freqncia, sendo a ginasta Nadia Comanecci o exemplo mais significativo de frgil menininha que se tornou estrela mundial com pouqussima idade. Casualmente, essa mesma atleta teve graves problemas de sade mental, logo aps o abandono das competies esportivas, sabemos que em se tratando de crianas, elas esto sempre procurando sua superao, isso faz com que se torne mais fcil treinar crianas, porque por si s as mesmas vo buscar seus limites e logo em seguida super-los para estar sempre em primeiro lugar, j que em nossa sociedade s os primeiros so reconhecidos.

RESULTADOS

Depois de consultar os autores aqui citados fica claro que a adequada prtica esportiva e competitiva infantil vai depender de uma infinidade de fatores, entre os quais podemos citar: a formao e atuao do profissional, os meios e os objetivos propostos, a faixa etria das crianas, o tipo de competio da qual ela vai participar, a efetiva forma de participao da famlia nesse contexto, etc. De qualquer modo, durante o treinamento infantil so importantes que sejam observados os aspectos mostrados a seguir, para que se possam evitar, dentro do possvel, os riscos no decorrer dos treinamentos, de acordo com Hahn, 1988:
- Durante as cargas elevadas, aumentarem os tempos de recuperao;
- Priorizar o desenvolvimento da resistncia aerbia em lugar do treinamento da resistncia anaerbia;
- Evitar as situaes onde se bloqueia a respirao (apnias prolongadas);
- No treinamento de fora, evitar as cargas elevadas que incidem sobre a coluna;
- No treinamento de fora, aumentar o trabalho de flexibilidade;
- Nas tarefas que exigem alta coordenao motora, ter em mente a limitao do processamento de informao nas crianas;
- Priorizar os movimentos e as habilidades naturais em lugar dos exerccios elaborados;
- Valorizar a variedade em lugar da esteriotipao dos gestos tcnicos;
- Para melhor motivao, valorizar o aspecto ldico das atividades;
- Por ser melhor em funo de sua maior carga motivacional, efetuar o treinamento em grupo ao invs de individualmente.


CONCLUSO

O Esporte Infantil dentro de uma escola no deve ser visto como de rendimento, pois, naquele momento as crianas esto necessitando de vrios tipos conhecimentos de maneira gerais, no podem ficar presos a treinamentos longos e pesados para obteno de resultados haja vista que muitos professores tm comeado a treinar crianas cada vez mais cedo.
Os meninos e meninas que iniciam a carreira de atleta muito precocemente, de certa forma, no vo usufruir os vrios benefcios inerentes ao jogo, como o carter ldico, a sociabilidade, a conscincia corporal e o respeito s regras. Essas crianas vivem outro tipo de prtica esportiva: aquela permeada por cobranas, rigor, seriedade, enfim, pela busca da vitria a qualquer custo. Ou seja, aquilo que deveria ser algo divertido, relacionado ao lazer, passa a exigir uma grande responsabilidade da criana, que, passa a ver essa atividade como trabalho.



REFERNCIAS
1. BALBINOTTI, C. A. A. O Desporto de competio como um meio de educao: uma proposta metodolgica construtivista aplicada ao treinamento de jovens tenistas. Revista Perfil. Porto Alegre, Ano I. n 1. P.83-91, 1997.

2. HAHN, E. Entrenamiento com nios. Teoria, prctica, problemas especficos. Barcelona: Martinez Roca, 1988.

3. KUNZ, E. As dimenses inumanas do esporte de rendimento. Movimento, N 1. Porto Alegre: Escola de Educao Fsica-UFRGS, 1994.

4. Parmetros Curriculares Nacionais: Educao Fsica / Secretaria de Educao Fundamental. Braslia: MEC/SEF. 1997.

5. PERSONNE, J. Aucune medeille ne vaut la sant dun enfant. Pars: Denol, 1987.

6. TELEMA, R. Consideraciones socioeducativos del deporte: aspectos pedaggicos del deporte para la juventud. Direccin Deportiva. v28, p.26, 1986.


OUTRAS OBRAS CONSULTADAS

ALCNTARA, MARIA INS PAREIRA DE. Teoria e prtica da educao infantil Manaus: Editora Valer, 2006.

BORGES, C. J. Educao fsica para o pr-escolar. Rio de Janeiro, Sprint, 1987.

FRIEDMANN, ADRIANA. Brincar: crescer e aprender o resgate do jogo infantil So Paulo: Moderna, 1996.

LOPES, ALEXANDRE APOLO DA SILVEIRA MENEZES. Futsal: metodologia e didtica na aprendizagem So Paulo: Phorte, 2004.

LUCENA, RICARDO. Futsal e a iniciao Rio de Janeiro: 5 Edio: Sprint, 2001.

MELCHERTS HURTADO, JOHANN GUSTAVO GUILERMO. Educao fsica pr-escolar e escolar 1 4 srie: uma abordagem psicomotora: 4 Ed. Curitiba: fundao da UFPR, PRODIL, 1987. 156 P.: Il.

MELO, A. M. Psicomotricidade. Educao Fsica. Jogos infantis. 4 ed. So Paulo, Ibrasa, 2002.

SHINEA, MARTA. Psicomotricidade, ritmo e expresso corporal: exerccios prticos [traduo Elaine Cristina Aleaide>. So Paulo: Manole, 1991.