Por: Raphael Mesquita

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Introdução: 

Ao praticarmos atividades físicas intensas colocamos os nossos músculos em um trabalho forte e progressivamente extenuante. Como conseqüência disto muitas vezes surgem problemas musculares tais como estiramento, rupturas de ligamentos, dores musculares pós-exercícios, tendinites e cãibras musculares. 

O presente artigo tem como objetivo principal realizar um estudo detalhado de um destes problemas citados acima: as cãibras musculares. Para atingir tal objetivo vamos aqui descrever diversos aspectos relacionados ao estudo deste problema, como a estrutura de um músculo esquelético e seu comportamento durante uma cãibra, os fatores causadores, os sintomas que podem identificar uma cãibra muscular, como preveni-la e como realizar um tratamento adequado seja você atleta ou não. 

A realização de um estudo desta natureza justifica-se pelo fato de acreditarmos ser importante para nós, educadores físicos, o conhecimento de um problema muito comum em nosso cotidiano, já que provavelmente iremos nos deparar muitas vezes com alunos nossos reclamando de dores musculares durante as aulas e, com certeza, se não conseguirmos identificar o problema imediatamente correremos o risco de, em casos extremos, colocar até a vida do aluno em perigo, tendo como exemplo um aluno que sente cãibras em uma praia enquanto pratica natação e que corre o risco de morrer afogado puxado pela correnteza do mar se o professor não perceber que ele não tem mais condições de participar da atividade. É claro que o exemplo citado acima é extremo, mas não deixa de ser importante para nos lembrar da responsabilidade que temos sobre os alunos durante uma aula, sendo obrigatório o conhecimento, principalmente, dos sintomas de cãibras que os mesmos possam vir a acusar durante a realização de um trabalho físico. Assim sendo, esperamos que o conteúdo aqui descrito nos auxilie cada vez mais em uma melhoria de nossa formação profissional no sentido de dar maior segurança em uma aula para que o aluno se sinta completamente a vontade de participar das atividades propostas. 

1) A estrutura da fibra muscular esquelética: 

O entendimento de toda a estrutura das fibras musculares esqueléticas e do mecanismo da contração muscular é muito importante para que se faça um estudo proveitoso a respeito das cãibras musculares, já que sua própria definição e muitas de suas causas estão envolvidas com alterações não planejadas durante a realização do processo de contração do músculo. Em decorrência disto faremos uma breve exposição teórica sobre as células musculares e seu funcionamento na geração de força contrátil. 

O tecido muscular tem como células formadoras as fibras musculares esqueléticas, cujos comprimentos podem variar de alguns centímetros a quase um metro. A membrana plasmática destas células é chamada de sarcolema e é nesta que existe uma conexão neuromuscular onde se faz presente um neurônio motor (moto neurônio alfa) realizando sinapses com a fibra muscular esquelética propriamente dita, tendo moléculas de acetilcolina como mediadores químicos deste fenômeno, e que levam como conseqüência à geração de potenciais de ação que irão se propagar por toda a extensão da célula e que vão provocar todo o processo da contração muscular. No interior de cada fibra esquelética existe um citoplasma celular que aqui é denominado de sarcoplasma, local este onde ficam mergulhadas diversas estruturas como o glicogênio, a fosfocreatina, o ATP, a gordura, o núcleo, o retículo sarcoplasmático, moléculas de mioglobina, mitocôndrias e centenas de filamentos protéicos chamados de miofibrilas (Maughan, Gleeson e Greenhaff 2000). Cada miofibrila é na verdade um conjunto de sarcômeros, unidades contráteis do músculo compostas por dois tipos de filamentos de proteínas: os filamentos finos, constituídos pelas proteínas actina, troponina e tropomiosina; e os filamentos grossos, constituídos pela proteína miosina. 

Não cabe nesta exposição descrever com detalhes o mecanismo da contração muscular, porém é importante saber que a contração origina-se a partir da geração de um potencial de ação no sarcolema das células musculares o qual se propaga por toda a extensão das mesmas e acaba por acarretar a liberação de cálcio no sarcoplasma; este, por sua vez, irá provocar interações entre as proteínas que formam os filamentos finos com proteínas que constituem os filamentos grossos dando origem a uma estrutura chamada de complexo actiomiosina. A partir deste momento ocorrerá uma série de acontecimentos que resultarão no deslizamento dos filamentos finos por sobre os grossos em direção ao centro do sarcômero, fazendo assim com que o músculo desenvolva tensão e se encurte. 

Vista esta breve exposição teórica sobre a estrutura das células musculares e do mecanismo da contração muscular, o presente artigo iniciará agora uma descrição mais específica sobre o estudo das cãibras musculares e os aspectos a ele relacionados. 

2) O que são cãibras musculares? 

2.1) Definição: 

Cãibras musculares nada mais são do que contrações musculares intensas de um só músculo isolado ou de um grupo deles e que ocorrem sem ser solicitadas, ou seja, são contrações involuntárias. Normalmente acontecem após exercícios físicos extenuantes e sua duração em geral é de alguns segundos; na grande maioria das vezes elas desaparecem subitamente podendo-se observar o endurecimento do grupo muscular onde atuam, sendo que os músculos mais freqüentemente afetados são o gastrocnêmio, os isquiotibiais e os abdominais (Gali, 2002). Segundo este mesmo autor as cãibras musculares, em alguns casos, podem causar outros tipos de lesões tais como distensões, estiramento e rupturas de ligamentos e músculos. Turíbio (1999) nos fala da gravidade que uma cãibra pode representar no treinamento ou competição de um atleta, já que quando aparece é responsável pelo afastamento imediato deste da atividade em que está participando. Por ser algo que incapacita momentaneamente o atleta, técnicos e jogadores temem muito sua incidência; com certeza o leitor que está analisando o presente texto já deve ter observado que em muitas competições esportivas, principalmente no futebol, atletas desabam repentinamente no campo de jogo e logo depois vem a informação de que o mesmo está sentindo cãibras. 

Na verdade as cãibras não atingem somente atletas; é só ver o próprio exemplo citado no início deste artigo de pesquisa, onde a cãibra representa um grande perigo para quem nada em uma praia e que fica sujeito a ser puxado pela correnteza do mar. Turíbio (1999) nos oferece um dado curioso e preocupante, onde relata que em muitos casos de "quase afogamentos" observou-se que a causa do problema havia sido uma cãibra muscular. Portanto, dependendo da ocasião a cãibra tanto pode representar apenas uma dor momentânea como também pode gerar graves situações de risco para qualquer indivíduo, e não somente para atletas como muitos pensam.

3) O que causa cãibras musculares? 

Tendo como base as pesquisas consultadas para a realização deste artigo, conseguimos perceber que os fatores causadores para o surgimento das cãibras ainda consiste em um assunto muito controvertido. Porém, de acordo com estudos recentes, foram apontadas quatro diferentes teorias para explicar como e porquê as cãibras musculares surgem: a teoria metabólica, teoria da desidratação, teoria eletrolítica e teoria ambiental. Vamos aqui expô-las mais detalhadamente para um melhor entendimento do assunto. 

3.1) A teoria metabólica: 

Segundo Turíbio (1999) a teoria metabólica sustenta-se na explicação de que as cãibras ocorrem quando o músculo se torna "intoxicado" por metabólitos provenientes da atividade contrátil. 

Uma das substâncias tóxicas ao músculo é a amônia; produzida durante a oxidação das proteínas, normalmente ela é conduzida ao fígado sob a forma de glutamina ou alanina e neste órgão é biotransformada em uréia a qual é levada pela corrente sangüínea até os rins, onde é filtrada e excretada. Entretanto, durante a atividade física o fígado tem sua atividade reduzida e, consequentemente, a transformação de amônia em uréia é muito menos intensa do que em condições de repouso. Com isso percebe-se um maior acúmulo de amônia próximo às fibras musculares e, devido a sua toxidade, pode levar ao estabelecimento das cãibras musculares.

Uma outra substância tóxica ao músculo é o ácido láctico. Fox (2000) nos fala que esta é uma substância resultante de uma desintegração incompleta dos carboidratos, processo este conhecido como glicólise anaeróbia o qual objetiva liberar energia que, por meio de reações acopladas, é utilizada para ressíntese do ATP. Este processo é realizado no sarcoplasma das fibras musculares, ou seja, o ácido láctico vai sendo produzido no interior das células. Após produzido, este ácido libera íons hidrogênio no meio intracelular e estes íons irão aumentar consideravelmente a acidez neste meio, podendo afetar profundamente o funcionamento das fibras musculares e causar, entre outros distúrbios, as cãibras musculares. 

Estas duas substâncias são exemplos de como as cãibras musculares são originadas a partir de metabólitos tóxicos produzidos no organismo. De acordo com a teoria metabólica as cãibras musculares surgiriam exclusivamente a partir destas substâncias, ou seja, é uma teoria muito limitada em relação a fatores externos que influem no exercício, tais como a temperatura ambiental e o fato de ter sido realizado alongamento ou não. Dentre as quatro teorias propostas para explicar o surgimento das cãibras musculares talvez seja a teoria mais "fraca" e limitada. 

3.2) A teoria da desidratação: 

A teoria da desidratação sustenta-se na afirmação de que o suor liberado durante o exercício físico representa uma perda de água tão considerável que pode provocar desequilíbrio nos fluidos corporais e assim interferir no mecanismo contrátil dos músculos, provocando sua contração súbita. Só para se ter uma idéia, uma pessoa com 60 kg que se exercita por cerca de uma hora perde, aproximadamente, 1500 ml de líquido pelo suor resultante da transpiração, ou seja, cerca de 2,5% da massa corporal. Se esse valor chegar a 5%, o que pode ser atingido em 2 horas de atividades físicas sem hidratação, os riscos para a saúde e particularmente de cãibras musculares são enormes. Barbanti (1990) nos fala que a deficiência extrema de água no organismo pode provocar efeitos tais como: deixar o sangue concentrado, o volume sangüíneo reduzido e a temperatura corporal aumentada em níveis bastante perigosos. Também cita que a água consiste no meio onde todas as reações metabólicas intracelulares acontecem e, no músculo, a falta de água pode deixar o sarcoplasma extremamente concentrado e as reações que acontecem nesta região podem ser prejudicadas, provocando distúrbios até mesmo no mecanismo da contração muscular que, por meio de processos contráteis involuntários, geram cãibras musculares. 

A desidratação é uma das causas mais comuns da ocorrência de cãibras musculares em pessoas que sequer realizam alguma atividade física, já que para perder água do corpo o mecanismo da sudorese por excesso de atividade física não é único. Um exemplo de pessoas sedentárias que sofrem cãibras por desidratação sem realizar nenhum tipo de atividade física seriam aquelas que normalmente ingerem grandes doses de bebidas alcóolicas em sua vida cotidiana. Isto explica-se pelo fato de que o álcool inibe a liberação do ADH (hormônio anti-diurético) fazendo assim com que a água não seja reabsorvida durante as etapas da função renal e com isso seja excretada do corpo em grandes quantidades, gerando a desidratação e por conseqüência todos os efeitos que a mesma pode proporcionar, já descritos anteriormente. 

Visto isso, acreditamos que a teoria da desidratação tem sim uma importância significativa no que se refere a explicar quais as causas que levam ao estabelecimento das cãibras musculares. Porém, os estudiosos que defendem esta teoria se limitam muito ao afirmar que apenas a perda de água é que ocasiona as contrações involuntárias, pois eles se esquecem que com o suor várias outras substâncias são liberadas além da água. Assim sendo, o leitor mais atento pode perguntar: e se na verdade a deficiência destas outras substâncias liberadas com o suor não for a real causa das cãibras musculares ? É isto que veremos a seguir na teoria eletrolítica. 

3.3) A teoria eletrolítica: 

Os estudiosos que defendem a teoria eletrolítica afirmam que juntamente à água, perdida com a transpiração excessiva, é liberada uma certa quantidade de eletrólitos necessários ao organismo. A ausência destes eletrólitos leva a que o tecido muscular se ressinta da falta dos mesmos, reagindo com contrações involuntárias (cãibras). 

O sódio e o potássio são os principais eletrólitos que, em deficiência, levam ao aparecimento das cãibras musculares. A explicação fisiológica para isso reside no fato de que a diferença de concentração destes íons entre os meios intra e extracelular é que vai ocasionar o surgimento de potenciais elétricos que ocorrem nas fibras nervosas e musculares, e são estes potenciais elétricos os responsáveis pela transmissão dos impulsos nervosos e pelo controle da contração muscular (Guyton, 1988). Assim sendo, uma deficiência de sódio e potássio geraria distúrbios na formação de potenciais elétricos e consequentemente no controle da contração muscular, o que pode ocasionar contrações espontâneas dos músculos, as cãibras. 

Falando especificamente do potássio, Barbanti (1990) em sua obra "aptidão física um convite à saúde" nos fala o seguinte: 

(...) " Os músculos precisam de potássio. Um músculo que se contrai libera potássio para os vasos sangüíneos vizinhos, fazendo-os se dilatar e aceitar mais sangue. Quando não há mais potássio para liberar, o músculo se contrai por causa de insuficiente quantidade sangüínea" (...) (p. 95-96). 

Pela citação anterior, percebemos o quanto o potássio é importante para o controle do mecanismo contrátil dos músculos. Além dele e do sódio, acredita-se que a deficiência de outros eletrólitos como o cálcio e o magnésio também seja geradora de cãibras musculares, embora não haja um consenso em relação a isto. Ao se analisar esta teoria, percebe-se que talvez seja a mais completa em termos de explicações fisiológicas para o surgimento das cãibras musculares. Seu grande problema reside justamente em não explicar o porque do surgimento de cãibras em pessoas com níveis de eletrólitos normais, fato este que algumas das outras teorias conseguem explicar. Sendo assim, vamos expor a quarta e última teoria, a teoria ambiental, para ver a que conclusão podemos chegar sobre os fatores causadores das cãibras musculares. 

3.4) A teoria ambiental: 

Como o próprio nome ilustra, a teoria ambiental sugere que as cãibras musculares são causadas por modificações extremas no ambiente externo ao organismo, principalmente modificações na temperatura. Acredita-se que temperaturas altamente elevadas ou extremamente baixas seriam as principais responsáveis pelo aparecimento destes distúrbios musculares. 

No caso de temperaturas altamente elevadas esta teoria defende o seguinte: o aumento da temperatura ambiente associado ao exercício físico leva a uma elevação na temperatura corporal. Guyton (1988) nos fala que quanto mais elevada for a temperatura corporal mais intensamente se realizarão as reações químicas que se passam no interior das células. Desta forma, em temperaturas muito elevadas - 39 ou 40 graus Celsius - as reações químicas que geram a contração muscular se tornariam tão intensas que poderiam chegar ao ponto de tornar-se involuntárias. Sendo assim, cãibras musculares surgiriam como conseqüência de modificações ambientais extremas que interferiram na temperatura corporal; este fenômeno é denominado de "cãibras induzidas pelo calor" (Fox, 2000), e é caracterizado como sendo espasmos ou contrações musculares dos membros superiores, membros inferiores e do abdome, e que normalmente atinge indivíduos sem aclimatação. Já no caso de temperaturas muito frias o que se observa é o seguinte: a exposição ao frio desencadeia várias respostas fisiológicas do organismo, e dentre elas está a constricção dos vasos sangüíneos. Como conseqüência deste fato seria gerado um prejuízo de fluxo sangüíneo para os músculos, desencadeando as cãibras. 

Como citado anteriormente, os fatores causadores das cãibras musculares é um assunto que ainda gera muita discussão entre os especialistas. Um ponto negativo desta teoria ambiental é o de que muitos autores ainda não aceitam as explicações fisiológicas dadas para o surgimento das cãibras causadas pelo excesso de calor, afirmando que não há comprovações esclarecedoras de como o mecanismo que dá origem a estes distúrbios ocorre. Não é objetivo do presente artigo discutir se uma teoria é melhor ou pior do que a outra mas sim expô-las em nosso texto, cabendo apenas ao leitor tirar suas próprias conclusões. Assim sendo, partiremos agora para a apresentação de algumas formas de prevenção e tratamento das cãibras musculares. Este tópico, em particular, é muito importante para nos informar de como devemos agir com os nossos alunos no sentido de auxiliar os mesmos a se prevenirem contra possíveis lesões musculares antes, durante e após a atividade física que estiver praticando. 

4) Como prevenir e tratar as cãibras musculares? 

Basicamente os sintomas das cãibras musculares se resumem a um só: dor intensa no músculo ou grupamento muscular mais exigido durante uma atividade física. Se um aluno reclamar de problemas com estas características o professor deve tomar algumas atitudes no sentido de aliviar esta dor momentaneamente e preveni-la para futuras aulas. A seguir serão dadas algumas recomendações que auxiliarão o professor a atingir estes objetivos. 

4.1) Hidratação adequada: 

Uma hidratação adequada ajudará o aluno a evitar desidratação e elevação extrema da temperatura corporal. Entenda-se por hidratação adequada aquela em que a pessoa não ingere grandes quantidades de água de uma só vez, o que poderia causar um certo desconforto, mas sim em intervalos programados. 

Normalmente o que se recomenda é o seguinte: fazer uma pré-hidratação antes da atividade consumindo cerca de 150 ml de água a cada 15 minutos tomando o primeiro copo uma hora antes da prática física. Durante a atividade deve-se beber de 100 a 200 ml de água a cada 10-15 minutos, sendo importante para o professor saber que a disponibilidade irrestrita de água constitui uma obrigação o tempo todo durante uma aula. Após a atividade o recomendado é que se beba água além daquela que se bebe normalmente quando se está com sede (Fox, 2000). Desta forma estaríamos prevenindo as cãibras causadas por uma possível desidratação ou elevação "exagerada" da temperatura corporal durante o exercício. 

4.2) Reposição eletrolítica: 

Aliada à hidratação também deve ser realizada uma reposição eletrolítica antes, durante e ao final da atividade. Neste caso, bebidas isotônicas e sucos de frutas são bastante úteis aos atletas em decorrência de promoverem a reposição dos níveis de, principalmente, sódio e potássio no organismo. Algumas bebidas recomendadas são a água de coco, o suco de laranja, as vitaminas de banana e abacate, o suco de pêssego e principalmente o suco de tomate, o mais rico em mg de sódio entre os citados acima. Uma recuperação nutricional com boa quantidade de sal também é importante para repor o cloreto de sódio. Ao ingerir estes alimentos estaríamos prevenindo as cãibras causadas por uma possível deficiência de eletrólitos no organismo.

4.3) Alongamento (antes e após a atividade) e massagem da região afetada: 

Fazendo alongamentos antes da atividade física estamos "avisando" aos músculos que eles serão utilizados futuramente, assim como também se o fizermos depois estamos nos prevenindo contra dores musculares que possam vir a aparecer no período pós-exercício. Se durante a atividade as cãibras forem acusadas por algum aluno a recomendação a se realizar, segundo Barbanti (1990), é a de: 

(...) "procurar uma posição cômoda e alongar gentilmente o músculo afetado. Tentar relaxar o músculo e massageá-lo também pode aliviar a dor rapidamente" (...) (p. 96) 

Podemos perceber então que ao notar que um aluno acusa sintomas de cãibras, em hipótese alguma devemos deixá-lo continuar a atividade normalmente, pois este correria até mesmo o risco de obter uma lesão muscular mais séria. 

4.4) Condicionamento aeróbio apropriado: 

Um condicionamento aeróbio apropriado pode levar o seu corpo a se adaptar mais facilmente às condições que levam ao estabelecimento das cãibras musculares. Ao se atingir um bom condicionamento tem-se como conseqüência a maior dificuldade de entrar em estado de fadiga muscular, ou seja, substâncias como o ácido láctico, por exemplo, irão se acumular em menor nível nos músculos. Desta forma estaria se prevenindo as cãibras causadas por possíveis substâncias tóxicas ao músculo. 

Vemos aí mais uma vez a importância que o professor de educação física tem ao conduzir uma aula, já que, infelizmente, o que se percebe hoje em dia é que os profissionais atuantes não respeitam as individualidades de cada aluno, propondo atividades que geralmente não se adaptam ao condicionamento que cada aluno apresenta o que acaba por gerar, em muitos casos, problemas musculares futuros. 

Considerações finais: 

Após a realização de uma extensa revisão bibliográfica visando a busca de dados para a realização deste artigo, algumas conclusões podem ser tiradas do presente estudo das cãibras musculares. 

A primeira conclusão importante a que conseguimos chegar é a de que ao se analisar as causas das cãibras musculares não podemos nos limitar a defender apenas uma teoria que explique tais causas e esquecer das teorias restantes. Ao invés disto seria muito mais proveitoso realizar uma interação das quatro teorias propostas com o intuito de fazer uma abordagem mais ampla e completa sobre o assunto em questão. Uma outra conclusão importante a que conseguimos chegar é a de que o profissional de educação física deve ter um conhecimento mínimo necessário sobre as cãibras musculares de modo que o capacite para realizar suas atividades com os alunos sem o perigo de não saber como agir na hora em que um aprendiz seu se queixar de dores no corpo, o que é muito comum em nosso meio. Em relação ao objetivo principal de nosso artigo, que era o de realizar um estudo detalhado das cãibras musculares, acreditamos que tenha sido atingido, apesar de reconhecermos que há uma grande dificuldade de se encontrar um material específico sobre o assunto. 

Assim sendo, cabe agora a nós realizarmos um aprofundamento no assunto em questão para que possamos adquirir o conhecimento necessário à nossa formação profissional. Visto isso, podemos dizer que a realização do presente trabalho contribuiu de forma significativa para uma melhor compreensão sobre o assunto "cãibras musculares", assim como também contribuiu amplamente para o desenvolvimento do estudo da cinesiologia. 

Desta forma, podemos sugerir para todos aqueles que praticam alguma atividade física que 1) pratiquem sempre acompanhados por algum profissional graduado e 2) procurem saber se este profissional tem um conhecimento mínimo necessário para lhes dar segurança durante sua prática física. Só assim pode-se ter certeza que a atividade estará sendo realizada de maneira correta e segura, com um perigo mínimo de lesões musculares. 

Referências bibliográficas: 

1) BARBANTI, Valdir J. Aptidão física um convite à saúde. São Paulo: manole, 1990. 

2) FOSS, Merle L, KETEYIAN, Stevean J. Bases fisiológicas do exercício e do esporte. Traduzido por Giuseppe Taranto. 6ed. Rio de Janeiro: Guanabara koogan, 2000. 

3) GALI, Júlio C. Lesões musculares. [on line] Disponível na Internet. URL: http://www.apice.med.br/lesões.html. 02.jan.2003. 

4) GUYTON, Arthur C. Fisiologia humana. Traduzido por Charles Alfred Esberard. 6ed. Rio de Janeiro: Guanabara koogan, 1988. 

5) MAUGHAN, Ron, GLEESON, Michael, GREENHAFF, Paul. Bioquímica do exercício e treinamento. Traduzido por Elisabeth de Oliveira e Marcos Ikeda. São Paulo: manole, 2000. 

6) TURÍBIO,C. Para passar o verão sem cãibras. [on line] Disponível na Internet. URL: http://www.jt.estadao.com.br/noticias/99/01/10cturibio.html. 02.jan.2003 

Nota: * Acadêmico de Educação Física pela UFRN 




Editor: Allan José Costa - Revista Virtual EFArtigos