Por: Professor Mesquita

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Hoje encontrei um artigo que fala sobre os critérios comportamentais na avaliação de futebolistas.
Achei interessante,
pelo meio da revisão de literatura dei de caras com isto. be-se que jogadores que participam, prematura ou tardiamente, no esporte tornam-se dependentes e focalizados em obter a vitória e melhorar o desempenho.
As principais características dos treinadores de alto desempenho são:

-acreditar nos seus jogadores;

-desenvolver relações baseadas no respeito e na confiança;

-estimular o pensamento crítico;

-oferecer oportunidades para a diversão e para a criatividade;

-manter canais de comunicação efetivos e permitir um ambiente adequado para a tomada
de decisões e solução de problemas próprios da competição.

Cada uma destas características determina e contribui para o desenvolvimento de jogadores experientes. Experiências positivas no esporte, criadas ou planejadas pelo treinador, aumenta a autoconfiança e motivação no jogador, contribuindo para o desenvolvimento (físico, emocional e intelectual) adequado dos mesmos. Finalmente, é oportuno dizer que o treinador de alto desempenho não só prepara o jogador para a competição, como também, o prepara para a vida (Samulski, 2006)." ( Camara 2009 )

Será que é possível combinar aquelas características com uma metodologia convêncional?
Que se baseia em conceitos como Pré época onde se constroi os alicerces fisicos para a epoca toda, e recarregar de baterias nos periodos de pausa, picos de forma Cargas, volumes de treino, corridas na praia, subir e descer bancadas e coisas que tais ?
Segundo Miguel Crespo (2005), actualmente os treinadores têm de ter conhecimento em diversas áreas do treino:

- Conhecimento do jogo
- Saber jogar a determinado nível
- Prevenção de Lesões
- Gestão de risco
- Desenvolvimento, aprendizagem e crescimento humano
- Treino, preparação física e nutrição
- Aspectos sociais e psicológicos do treino e da competição
- Técnica, táctica e estratégia
- Administração e Gestão
- Preparação pessoal e promoção (Marketing, relações públicas, etc.)

Dependendo do(s) atleta(s) que está a treinar e do nível de jogo em que está envolvido, assim pode ser mais importante um ou outro aspecto.

O treinador tem de estar tão comprometido como o jogador num projecto para que haja resultados. Os dois têm perfis diferentes, como foi referido por Carl-Axel e Stefan Edberg em Outubro na Suécia, mas têm de estar comprometidos num projecto comum.

- Treinador – trabalho árduo, viagens, liderança, experiência, capacidades técnicas e conhecimento
- Jogador – 110% comprometido, treinar com intensidade, capacidade para aprender (ouvir e tentar aplicar)

Tanto Javier Duarte no simpósio espanhol realizado no final de 2006, como o Frank Slezak (director técnico da República Checa e treinador ITF) no simpósio Europeu realizado em Outubro do mesmo ano, referiram que acreditam mais em projectos individuais apoiados em estruturas de competição, do que apenas nas estruturas em si. Referiram inúmeros exemplos de sucesso no circuito que são baseados neste tipo de estrutura móvel, aproveitando o que de melhor se faz em cada ponto do mundo, quando se enquadra adequadamente na evolução do atleta. Isto torna-se mais relevante quando falamos de ténis feminino, no entanto, é vital em ambos os géneros. Olhemos para os exemplos de top internacional e verificamos que há quase sempre alguém bastante perto do jogador que orientou o processo de perto, com uma relação pessoal e profissional forte com o atleta, em todos os períodos do seu desenvolvimento até atingir uma base de sucesso internacional – Ferrero, Kuerten, Sampras, Federer, Henin, Sharapova, Williams, Mauresmo, Nadal, etc…

Quando um treinador decide entrar num projecto individual mais ambicioso, temos de estar preparados para viajar tanto como o atleta, passar o mesmo número de horas que o atleta no campo, mais muitas outras horas em planificação. Temos de nos manter actualizados do que melhor se faz a nível internacional, e de quais os diversos caminhos para o sucesso, e acima de tudo, acreditar nas capacidades do/a atleta em questão. Um dos factores referidos pelos atletas de top como sendo determinante para o sucesso que conseguiram atingir, e que lhes ajudou bastante a atingir o topo foi o facto do treinador deles na altura acreditar que eles poderiam conseguir...

Uma das preocupações da ITF expressa na Turquia, é o facto de haver cada vez menos treinadores a nível mundial a quererem desempenhar um papel de entrega necessário ao sucesso do atleta, o que tem como consequência uma natural diminuição do número de atletas.

Mas serão apenas estas as qualidades necessárias para se conseguir o sucesso na área do treino? Segundo os autores do livro referido de início, está provado já na área da Gestão que um bom executante não é necessáriamente um bom gestor...e um treinador é cada vez mais um gestor...

Naturalmente que a prática a um bom nível é necessária para entender o jogo e ganhar credibilidade, principalmente junto dos respectivos atletas, no entanto, os autores identificam várias outras capacidades que são vitais quando falamos de treino ou gestão de alto rendimento. São elas:

- Integridade – Está directamente relacionada com os valores do respectivo treinador, ou seja, do que lhe foi transmitido durante a sua educação. É vital que o treinador seja alguém que siga determinadas regras de conduta, em todos os escalões, e principalmente quando falamos de escalões mais novos, em que a personalidade dos respectivos atletas ainda está em fase de formação;

- Paixão – Este é na perspectiva dos autores (e na minha) o motor de tudo. Uma das razões pelas quais os ex-atletas têm mais sucesso no treino, está relacionado com esta caracterísitca que os atletas conseguem sentir...à distância! Alguém que faz aquilo que gosta, vai conseguir fazê-lo de uma forma mais interessada e com mais vontade, o que se irá reflectir em quase todos os outros aspectos;

- Capacidade para relaxar – Apesar da paixão, é necessário que o treinador aprenda a relaxar e a desligar de vez em quando. Devido ao facto de ser uma actividade de alto stress, é necessário manter as relações com os outros o mais eficazes possível, e para isso, a paixão sem capacidade para descontrair de vez em quando pode provocar algumas situações de conflito improdutivas;

- Capacidades de análise – É fundamental que o treinador consiga perceber quais os factores mais importantes no rendimento de um determinado atleta, antes, durante e depois do período em campo. Esta análise está directamente relacionada com o conhecimento do respectivo treinador, bem como com a percepção;

- Sede de conhecimento – O desporto de alta-competição a nível internacional tem cada vez mais dinheiro envolvido, e consequentemente mais desenvolvimento em todas as áreas. O ténis é uma área multidisciplinar (tal como quis dar a ideia no meu livro), e precisa que estejamos em constante actualização. Quem não se actualizar ficará para trás;

- Atenção aos pormenores – Ser rigoroso na aplicação dos factores importantes de evolução e de treino. É nos pormenores que haverá as grandes diferenças naqueles que atingirem níveis mais elevados de performance

- Capacidade de pôr as coisas em prática – Por mais conhecimento que se tenha, se não conseguirmos aplicar os respectivos conhecimentos, estes não nos servem de nada;

- Sede insaciável por feitos e resultados – Um treinador, tal como o jogador, tem de ser uma pessoa ambiciosa. Tem de saber ficar contente com os feitos que vai atingindo, mas ser capaz de querer cada vez mais. Chamamos a isto de Perfeccionismo positivo;

- Autoconfiança – No jogador é necessário auto-confiança na aplicação das diversas situações trabalhadas. No caso do treinador, tem de ter confiança no conhecimento e aplicação dos factores vitais ao desenvolvimento do atleta;

- Entusiasmo – Os atletas cheiram à distância. É só pensar numa aula/reunião/treino com alguém com uma voz monocórdica e apagado, ou uma aula/reunião/treino com alguém que tenha tamanha energia que consiga transmiti-la aos restantes de modo a motivá-los ainda mais para a execução das tarefas que propõe...

- Percepção das pessoas – É preciso ser-se bom em relações pessoais de modo a percebermo-nos dos estados de espírito dos atletas/pessoas que estamos a orientar, e podermos assim adequar a nossa estratégia de acordo com isso de modo a obter o máximo de rendimento;

- Inflexibilidade – O treinador tem de criar regras de funcionamento e ser-lhes fiel de modo a que tudo o resto funcione;

- Presença – É uma das mais difícies de explicar, mas é comum a quase todos os melhores treinadores. Os melhores treinadores são capazes, pela sua presença, de exigir e obter dos atletas os maiores níveis de qualidade no trabalho.